Continuação de A Magia do Coração I

Por Ronan Pinto Goulão

Esta prisão tem um problema gigantesco. É que dentro de cada um dos reclusos, existe um espaço infinito, que é impossível ser enclausurado.

O nosso coração não apresenta qualquer barreira ou qualquer limitação, ele é o portal para um universo absoluto onde a nossa alma espelha a Alma Suprema do Criador, e onde somos eternamente Amor.E este espaço mágico, tem um poder gigantesco de atrair e relembrar cada um de nós, que estamos a ir no caminho errado.

heart-picture-002É aquele espaço que quando atingimos absolutamente tudo o que desejávamos, nos relembra que falta algo mais. É ter todo o dinheiro que queríamos, ou chegar ao topo da carreira… e ainda assim, algo cá dentro queima, algo cá dentro continua incandescente. Brilha como um farol tentando mostrar-nos o caminho de volta a casa.

Assim, a mente precisou de assegurar a sua sobrevivência. E para isso contratou um especialista. Chamamos-lhe formalismo. O formalismo aparece na forma de regras, de imposições, de obrigações, de rotinas, de protocolos e distâncias, que nos afastam uns dos outros e de nós mesmos. A mente fica muito feliz com formalismos. É muito mais fácil impor regras, do que transformar. É muito mais fácil ser forte, frio e distante do que abrir, sentir e Amar.

Desta forma, aprendemos a comunicar formalmente, a trabalhar formalmente, a namorar formalmente, e a sentir formalmente. “É suposto eu sentir isto”? bom, não há supostos no coração.

A solução

O nosso coração torna-se assim a maior ameaça ao formalismo imposto pela nossa mente. Porque o coração continuamente quebra a nossa lógica, as nossas regras e os nossos limites. E quando voltamos à mente, consideramos o que o coração fez como algo caótico, ficamos magoados e zangados. E desta forma educamo-nos a manter-nos bem protegidos do coração.

Mas isto não é solução. Porque, na realidade, o coração é a única coisa que importa. A mente, a lógica, o formalismo e o raciocínio nunca nos vão fazer plenamente felizes. E quando finalmente nos apercebemos isto, começa a mágica viagem de volta ao Ser.

Começámos lá em cima, no calor do nosso peito, mergulhámos no terreno pantanoso do pensar e do não sentir, e no meio da lama surge uma flor de lotus, perfeita e imaculada, que se ergue como farol para nos mostrar que é sempre possível voltar a casa.

Assim, para voltarmos ao nosso centro, vamos ter que, pouco a pouco, começar a ouvir os sussurros profundos do nosso coração. Mesmo quando toda a lógica diz que deveria ser ao contrário. Mesmo quando vai contra as regras. Mesmo quando abala a estabilidade – e o tédio – da nossa vida. Assim começamos a fazer as pazes com o nosso coração quando abraçamos, quando nos libertamos, quando não seguimos formalismos ou imposições. O coração é livre, o coração é a própria liberdade, o coração é o absoluto Amor.

E assim, podemos começar por nos vestir de forma totalmente diferente para um evento formal. Podemos rir alto, abraçar em vez de acenar, apertar contra o peito em vez de saudar cordialmente, podemos oferecer prendas a desconhecidos, podemos mimar e acarinhar os que nos rodeiam, podemos dar sem esperar receber, podemos oferecer sem esperar ter em troca, podemos subir a uma árvore, sair a meio da tarde para ir à praia, pagar a conta da mesa ao lado, podemos ser total e absolutamente livres.

Na tua vida diária, tal como no amor, deves ser e permanecer sempre livre. Liberta a tua mente das engrenagens complicadas em que ficas frequentemente preso. A energia do Amor é um mistério arrebatador (…). Um amor grandioso que aparece no nosso universo interior aceita riscos, acredita em milagres e é simultaneamente um vento misterioso, movimento, magia, harmonia, música etérea, surpresa, exaltação, felicidade e revelação.”

Gregorian Bivolaru in The Secret Tantric Path of Love for happiness and fulfilment in a couple relationship – Capítulo 19